Eu e a arte
Critérios não-artísticos para definir o que é arte
Durante um certo período da minha vida eu passei muito tempo refletindo, estudando e pesquisando seriamente sobre o que é a arte: o que faz de uma obra uma obra de arte? Será que precisa ser uma obra? Etc. O meu veredito até o momento é: sei lá.
Não desprezando a questão nem a sua importância, mas é que no fim das contas eu não sou nem artista nem consumidor de arte, não estou envolvido, como já estive, em nada relacionado à arte, a não ser como público, mas aí não é indispensável saber o que é e o que não é uma obra de arte. Se alguém me mostrar um quadro de Frida Kahlo e me disser “isto é uma obra de arte”, ok, é sim, se me mostrar um mictório e disser “isto é uma obra de arte”, ok, também é.
Não é, por mais que pareça, indiferença. É que não é uma questão que se coloca pra mim. Pra falar a verdade, pra mim o quadro de Frida Kahlo é mesmo arte, o mictório etiquetado como “A Fonte” do Duchamp não é, mas não vou brigar por isso e simplesmente não tenho critérios para argumentar - a não ser…
É que tem coisas que para mim são arte, ou melhor, eu tenho critérios pessoais válidos apenas para mim do que eu considero que seja. Critérios sem pretensões artísticas, acadêmicas, validatórias, que às vezes por motivos inesperados eu suspendo (pra coisas que se enquadraram neles mas que aquela coisa em particular não considerei arte mesmo assim, ou coisas que não se enquadraram mas eu acabei considerando1), sem contar aquelas que eu torço, retorço e distorço os critérios para que elas caibam neles.
Considerando, então, a elasticidade desses critérios, eles tem a ver basicamente com a serventia. Eu não quero parecer uma pessoa utilitarista, mas pelo menos no caso da arte tem a ver com a função. Não necessariamente com o objetivo (nem as intenções do artista), mas para que serve aquela obra. Claro, uma cadeira bonita também tem a função de sentar nela, uma coluna greco-romana serve para segurar uma marquise, mas não é essa função prática que eu quero dizer.
Acho que obras de arte são obras que tenham uma função ou religiosa ou política (tempos atrás daria para acrescentar “também uma função político-religiosa”, mas vivemos em tempos difíceis nesse campo), que do seu próprio modo signifiquem (ou inspirem, ou ajudem a levar à, etc) a liberdade das pessoas. Não a liberdade no sentido mais reduzido de poder escolher (que às vezes pode ser uma forma de liberdade, mas às vezes não, que nem naquele filme em que um personagem diz para o outro escolher se quer levar o tiro na mão ou no pé).
Isso tudo inspirado por essa sequência de postagens, que eu salvei e printei tudo junto para dar menos trabalho, do CELAM no instagram sobre um artista que, a julgar pelas postagens, era um artista cuja obra assustava “violentos e corruptos” que promoveram um atentado contra ele, mas não entendi se ele está entre a vida e a morte ou se morreu:

1 As artes da minha filha, por exemplo (editado em 18 de julho).