27/02/2026

O Holocausto se tornaria um ícone do mal nos tempos modernos. Foi um subproduto da modernidade que, desde o início, envolveu com freqüência atos de limpeza étnica. Os nazistas utilizaram em seu programa de extermínio muitas das ferramentas e das conquistas da era industrial. Os campos de concentração constituíram uma hedionda paródia da fábrica, incluindo até a chaminé industrial. Fizeram pleno uso das ferrovias, recorreram à avançada indústria química, contaram com uma burocracia e uma administração eficientes. O Holocausto foi um exemplo de planejamento científico e racional, em que tudo se subordina a um único objetivo, limitado e claramente definido. Fruto do moderno racismo científico, o Holocausto foi à última palavra da engenharia social na chamada cultura “do jardim” [uma ideia semelhante ao higienismo social] do século XX. A própria ciência esteve profundamente implicada nos campos de extermínio e nos experimentos eugênicos ali realizados. O Holocausto mostrou, no mínimo, que uma ideologia secularista podia ser tão mortífera quanto uma cruzada religiosa.

(Karen Armstrong, Em Nome de Deus — Copiado de um PDF, portanto eu não sei as páginas.)